‘Porão Cultural’ é o novo espaço para arte livre no Centro de Maricá

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Um espaço público dedicado à arte livre. Assim pode ser definido o Porão Cultural, que passou a ocupar o local onde funcionava a biblioteca pública de Maricá, nos fundos do anfiteatro da Praça Orlando de Barros Pimentel. De acordo com a Secretaria de Cultura, o espaço é aberto a toda pessoa que queira manifestar um dom artístico qualquer, seja ele pintura, desenho, música, teatro, grafite ou outro. A resposta da população foi imediata: Apenas uma semana após a abertura, ocorrida no dia 17, mas de 600 pessoas já foram conhecer o ‘porão’, nome sugerido por uma das frequentadoras.

“Quando eu soube que o espaço seria aberto nesta parte de baixo, pensei logo: ‘podíamos chamar de porão, por quê não?!’. O nome pegou rápido, acho que porque tem essa cara mesmo”, avalia grafiteira Amanda Freitas, de 21 anos, conhecida como ‘Cabocla’, responsável por uma das ilustrações da parte externa no local. A própria coordenadora de artes visuais da secretaria, Tatiana Castelo Branco, estava entre os artistas que ajudavam a decorar a fachada. Ela conta que procurava um local para esta finalidade quando soube que a biblioteca iria sair dali.

“Tivemos um retorno rápido e com gente que vem aqui todos os dias. Já temos histórias de gente que estava deprimida e, quando chegam, as pessoas se emocionam, deixam mensagens nas paredes. É algo que lhes alimenta a alma”, observa Tatiana, uma das responsáveis pelo Porão Cultural ao lado de Paula Kaya, que reforça o caráter de ajuda do projeto. “Serve mesmo de terapia ocupacional para quem tem algum bloqueio, faz a pessoa se libertar”, assinalou.

Um desses exemplos é Stephany Santos Leal, de 19 anos, que ficou boa parte do tempo desenhando no espaço. Moradora de São José de Imbassaí, ele revelou que não conseguia tocar piano desde a morte do pai, há alguns anos, mas voltou ao instrumento quando chegou ao porão. “Achava que não ia conseguir sem ele e quando cheguei aqui me deparei com esse. Sentei e toquei de novo, foi ótimo”, relatou ela, afirmando que o lugar é a melhor coisa que pode haver para os jovens. “É bom para a gente sair da zona de conforto, poder sonhar e também para ocupar a mente da galera que fica à toa pela praça”, disse ela, que também é dançarina e atriz.

O piano foi levado ao local pelo músico e desenhista Roberto de Moraes, de 32 anos, que também tem um projeto com livros. “Ele ficou dez anos na minha casa quase sem uso, achei que era legal trazer só pela alternativa que representa”, ressaltou ele, que mora em Jacaroá. Outro que ‘tirou um som’ ao piano foi o estudante Mairon de Azevedo, de 17 anos, que mesmo com um problema na mão direita afirmou que vai virar frequentador do espaço. “Nasci com a mão assim, mas isso não me impede de tocar, até digo que foi isso que me estimulou. Acredito naquela frase de Friedrich Nietzsche, que diz que a vida sem música seria um erro”, ponderou o rapaz, morador do Flamengo.

 

Os interessados em expor o seu trabalho artístico no espaço devem procurar diretamente a Tatiana Castelo, das 10h às 17h. “Conversando e analisando o tipo de arte proposta, tenho como articular e pré-anotar na agenda”, diz a coordenadora, lembrando que até o dia 1º de setembro estão abertas as inscrições para o Curso de Contação de Histórias, a ser ministrado no Porão de 06/09 a 08/11 toda quinta-feira, das 18h às 20h.

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