Vermelhinhos ônibus gratuitos de Maricá sofrem com depredação no seu interior.

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Assumindo oficialmente em maio de 2017 as linhas que faziam o trajeto dos ônibus da viação Costa Leste, os coletivos gratuitos da Empresa Pública de Transportes (EPT), popularmente chamados de “Vermelhinhos”, são os responsáveis por transportar 15 mil pessoas por dia e cerca de 500 mil por mês. Após decisão judicial que retirou de circulação os ônibus da viação Costa Leste, devido aos constantes defeitos de seus coletivos, mais de 4 milhões de pessoas já foram transportadas.

No entanto, o principal meio de transporte gratuito dos munícipes é alvo constante de depredações nos vidros, violação das alavancas de emergência ou o seu acionamento, ocasionando desestabilidade das janelas, entre outras avariações. Além do mais, foram detectados rasgos nos assentos, rabiscos ou até mesmo bancos destruídos. Segundo a coordenação da EPT, uma única cadeira danificada significa 12 passageiros a menos transportados, além de causar insegurança de bordo.

As constantes violações ocorridas no interior dos veículos resultam em uma série de problemas operacionais. A quebra de vidros, por exemplo, acarreta na retirada do coletivo de circulação e, se por ventura não tiver um ônibus substituto, pode prejudicar no atendimento. Nesses casos, há possibilidade de ocorrer a junção de duas rotas, gerando superlotação, insatisfação ou atraso nos trajetos. A título de exemplo, em um dia normal de operação a linha Ponta Negra transporta cerca de 3.150 passageiros. Quando um coletivo fica inoperante em virtude das depredações, aproximadamente 200 pessoas deixam ser atendidas em um período de 4h às 10h (corresponde a um turno da manhã). Em um dia inteiro, esse número chega a menos 600 passageiros.

Para melhor atender os usuários, a EPT conta com ajuda da população para cuidar do transporte público. Um exemplo é a auxiliar de serviços gerais, Kátia Costa, de 44 anos. “A população deve cuidar do “Vermelhinho” porque é um transporte que temos de graça e que atende a todos. Se eu vir alguma pessoa depredando vou chamar a atenção porque o “Vermelhinho” é nosso”, afirmou a moradora de Mumbuca, que usa o transporte para se locomover até seu trabalho no Espraiado.

Esperando na rodoviária para embarcar no ônibus da EPT, a estudante do 9º ano do Ensino Médio, Julie Nascimento, de 14 anos, relatou que já andou em alguns veículos danificados no seu interior. “Eu acho isso uma falta de respeito porque todo mundo usa. A pessoa fazendo isso está acabando com o que é dela também. Uma hora qualquer vamos precisar dos ônibus gratuitos e não vamos ter”, disse a aluna do Centro Educacional Joana Benedicta Rangel, no Centro. “Caso eu veja alguém fazendo isso eu vou chamar a atenção. Está acabando com uma coisa que é minha e de todo mundo”, completou.

Além de atrasos e lotação das linhas, esses danos resultam em gastos financeiros custeados pelos impostos pagos pelo próprio usuário. Uma única alavanca de emergência violada custa cerca de R$ 75; uma borracha de proteção do vidro da janela fica em torno de R$ 140; a troca de uma janela inteira custa em média R$ 500; um assento de ônibus fica por volta de R$ 200. Já o conserto de um letreiro digital custa em média R$ 700. Se um único veículo tiver a campainha destruída, vidro e para-brisas quebrados e estofado rasgado, o prejuízo financeiro pode chegar a R$ 3.000, sem contar a possibilidade de o ônibus ficar aproximadamente 10 dias inoperante.

Rodrigo de Oliveira Marins, de 38 anos, elogiou o serviço, uma vez que utiliza o transporte gratuito para se locomover até o Centro da cidade e revelou que já trafegou em ônibus com estofados rasgados. “A população tem que ter consciência que é para o nosso dia a dia. Para mim, que estou me recuperando de um acidente, está sendo muito bom. Temos que mantê-lo limpo, conservado e tratar bem os motoristas que são excelentes profissionais e estão sempre dispostos a ajudar a todos”, aconselhou o vigilante, que é morador do bairro Zacarias.

Investimentos nos Vermelhinhos

A fim de conscientizar a população sobre uma melhor utilização do transporte público, o presidente da EPT, Lourival Casula enfatizou a relevância dos veículos com Tarifa Zero no transporte público municipal. “Cada vez que um passageiro rasga um assento de um ônibus ele está depredando um patrimônio dele mesmo”, disse. “Queremos informar às pessoas que estamos reformando, colocando tudo em ordem para que o passageiro tenha realmente um transporte de excelência. Gostaríamos que ele fizesse o uso desse patrimônio que a prefeitura está oferecendo de graça, mas que tenha realmente um cuidado maior junto conosco e que evite depredar e destruir”, completou.

Ainda segundo Casula, algumas novidades estão por vir a fim de dar mais conforto e segurança para os passageiros. Uma delas é o processo inicial que já foi aberto para licitar a compra de mais 20 ônibus com o objetivo de compor a frota dos 38 coletivos já existentes. Outros investimentos também acontecem no campo da segurança com a instalação de câmeras de monitoramento dentro dos veículos, e da tecnologia através do Aplicativo Vermelhinho – que permite o usuário acompanhar pelo telefone o itinerário dos veículos. Este último foi lançado no ano passado e se encontra em fase de testes para aprimoramento. “Esse aplicativo já foi licitado, já tem uma empresa vencedora e só estamos terminando a formalidade legal para fazer a contratação. A empresa será responsável por colocar câmera em todos os ônibus e o aplicativo para que funcione no município todo”, acrescentou.

Com objetivo de trazer inovação para Maricá, a diretoria da EPT visitou uma garagem de uma empresa de ônibus a fim de aperfeiçoar a estrutura física e organizacional da autarquia para melhor atender o usuário. O novo projeto de reestruturação vai desde a simples uniformização dos funcionários, passando pela compra de novos pneus, troca de molas, pinos até obras de ampliação e estruturação da garagem.

Outra mudança que está para acontecer é a revisão do novo calendário de horários e de rotas dos ônibus. A ideia com isso é levar os “Tarifa Zero” a lugares que ainda não atendem e diminuir o tempo de espera entre um ônibus e outro. Atualmente, esse intervalo fica em torno de 40 minutos, podendo ser ainda maior em determinados lugares.

Além das atividades de rotina, os sete diretores da autarquia fazem um revezamento aos finais de semana para dar suporte aos funcionários que trabalham nos terminais rodoviários. “A função é colaborar para que funcione no sábado e domingo. Dessa forma, as pessoas percebem que tem uma pessoa de apoio ali. Caso aconteça algum imprevisto que o despachante não possa resolver, o diretor tem autonomia maior para solucionar com mais rapidez”, concluiu.

Estatística da EPT

  • 15 mil passageiros transportados por dia / 500 mil por mês
  • 1 linha transporta 3.150 passageiros
  • 1 assento destruído = menos 12 passageiros
  • 1 ônibus com diversas avariações = 10 dias sem funcionamento 
  • 1 veículo inoperante = menos 600 pessoas atendidas em 1 dia

Prejuízos financeiros

  • 1 alavanca de emergência danificada = R$ 75
  • 1 borracha de proteção do vidro da janela = R$ 140
  • Troca de 1 janela = R$ 500
  • 1 Assento quebrado = 200
  • 1 Letreiro Digital = 700
  • Campainha, vidro, para-brisas, estofado rasgado = R$ 3.000 em apenas 1 coletivo

Investimentos

  • Mais 20 novos para compor a frota de 38
  • Instalação de câmera de segurança e aplicativo de celular

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