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Foto: Agência O Dia

A universitária Hayssa Alves de Souza Andrade, 21 anos, foi morta pelo cabo PM Jorge Luis Aguiar da Silva, 39 anos, que disparou pelo menos 20 tiros contra ela em uma festa em Campo Grande. O motivo: a escolha de uma música.

Hayssa e o PM eram convidados de uma festa em sobrado na Rua Camaipi e não se conheciam. Segundo uma prima de Hayssa, que pediu para não ser identificada, cada um podia escolher uma música. Hayssa escolheu um funk. O policial não gostou e começou a ameaçá-la. A música foi interrompida, mas as ameaças continuaram. “Ele chutou o copo dela e perguntou por que Hayssa estava rindo. Depois, ameaçou-a de morte e atirou 26 vezes”, contou a prima.

Segundo o delegado Fábio Cardoso,titular da Divisão de Homicídios (DH) da Capital, o PM teria ficado irritado porque a música escolhida faria apologia ao Comando Vermelho. “Após a amiga da vítima colocar a música, o policial — que durante o tempo todo se mostrou arrogante, truculento e ostentando a arma — foi tirar satisfações, dizendo que aquilo era música de bandido”, relata. Ainda de acordo com o delegado, Hayssa perguntou ao PM se ele pretendia usar a amar para atacá-la.

O PM, então, descarregou a pistola calibre 380 na mulher. “Ele usou todas as munições, que tinha dentro da arma contra a vítima. Essa arma tem capacidade para 19 munições e uma na câmara. Ou seja, ele pode ter dado até 20 tiros na jovem”, explica o delegado.

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Universitária foi assediada por PM durante festa e pode ter levado até 20 tiros. (Foto: Reprodução Facebook)

Hayssa chegou a ser levada para o Hospital Municipal Rocha Faria, mas não resistiu aos ferimentos. O enterro está marcado para 13h deste sábado, no Cemitério de Campo Grande.

O laudo de necropsia apontou 36 lesões de arma de fogo na vítima. Vinte e duas balas entraram e 14 saíram. “Isso não quer dizer que ela foi baleada 36 vezes. A vítima teve várias lesões nas mãos e nos braços — tipico de defesa. Essas balas entraram pelos braços, saíram e atravessaram outros órgãos. Por isso, esse número alto de perfurações”. Segundo a perícia, Hayssa os disparos atingiram principalmente as mãos, os braços, o tórax e órgãos internos.

O cabo PM Jorge foi preso em flagrante por homicídio qualificado, prestou depoimento e foi levado para a Unidade Prisional da Polícia Militar, em Niteró. Ele é lotado no Centro de Controle Operacional da Polícia Militar (Cecopom), e na segunda-feira será encaminhado para uma audiência de custódia. A DH pediu à Justiça que a prisão em flagrante seja convertida para preventiva e que o acusado fique detido enquanto o caso não for julgado.

“Tirou a vida de uma criança. Ele matou minha branquela. Um homem que deveria nos servir destruiu a nossa família”, desabafou Altair Araújo, tio e padrinho da vítima, entre lágrimas.

Durante o velório, a mãe de Hayssa, Eliane, sempre consolada pelos presentes, ficou o tempo todo ao lado do corpo da filha caçula. Ela tirou o véu que protegia o corpo e acariciou a testa da menina como sinal de despedida. A irmã mãe velha, Dayane, 24 anos, não aguentou de emoção desmaiou, sendo aparada por familiares e amigos.

Segundo um parente da vítima, o policial militar estava embriagado na noite do crime. “Ele tentou assediar não só ela, quanto todo mundo que estava lá. Mas a Hayssa não deu confiança. Não sei muito porque não estava lá. Só quero justiça”, diz Araújo, que emocionado não quis ficar até o fim do sepultamento. “Vim me despedir. Ela está com Deus agora”.

Um cortejo muito emocionado prestou as últimas homenagens à jovem com palmas, flores e muitas palavras de amor. “Sentirei saudade dela”, disse uma amiga, que pediu para não ser identificada, ao depositar um buquê de rosas.

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