Pedofilia e Bullying: riscos na internet

O artigo dessa semana foi construído a partir da matéria do site SOS Maricá “Casos de pedofilia na internet disparam cerca de 50%” publicada em 26 de junho de 2017, por  Aline Queirolo. A matéria informa  sobre o aumento de pelo menos 50% nos registros de crimes  de  pedofilia em ambientes virtuais e que as principais vítimas são meninas entre 12 e 17 anos, quando  fotografam ou filmam, as partes íntimas e enviam aos namorados e/ou amigos. Com o vazamento, as fotografias ou vídeos podem chegar ao ambiente escolar, causando o bullying virtual ou presencial. Outros riscos citados são: o de que as fotos possam cair em sites pornográficos ou de pedófilos; e o risco de crianças se relacionarem com pedófilos que criam perfis falsos como se tivesse a idade delas.

A sociedade atual tem vivenciado riscos genuínos na internet, onde fica fácil acessar conteúdos sexuais e de violência em idades cada vez mais precoces. Assim, o que tem início em ambientes virtuais ganham proporções avassaladoras na vida fora da internet com riscos à integridade física e emocional. São registrados casos de comportamentos extremos como  tentativas de suicídio, e o  suicídio propriamente dito.

A fim de discutir sobre  fenômeno atual, cito  as pesquisadoras Vivas, M.P.G e Torres C.F.  da Pontifícia Universidade da Colômbia que fizeram uma revisão sistemática de estudos sobre as formas de exposição de crianças e adolescentes aos conteúdos da internet. Dentre as formas de exposição, vamos focar o cyberbullying e a pedofilia na internet.

Por cyberbullying as pesquisadoras definem como um comportamento dirigido e repetido para produzir difamações seja por telefone, e-mail, mensagens eletrônicas e páginas da web, sendo que a internet é a que mais tem aumentado o comportamento de bullying. Portanto, nesse texto o cyberbullying estará sendo referido ao bullying na internet.
O estudo citado gerou 03 perguntas: como identificar um comportamento de cyberbullying?  que fatores de risco atingem crianças e adolescentes? como prevenir?. Sobre a primeira pergunta, como identificar  o cyberbullying, é preciso ressaltar que existe aquele que sofre, mas também o que pratica. Os mais vulneráveis a sofrerem agressões apresentam comportamentos de poucas amizades no espaço real, e geralmente também sofrem ou já sofreram de bullying fora da internet; apresentam características mais tímidas e preferem os relacionamentos virtuais. O mesmo comportamento pode aparecer no agressor; muitos  têm dificuldades nos relacionamentos presenciais e através da internet  é que conseguem o seu grupo de pares;  sentem-se mais poderosos e  se permitem  atacar virtualmente seus colegas de turma ou do bairro. Os estudos apontam que esse tipo de comportamento é mais frequente em jovens introvertidos, com baixos níveis de auto estima, altos níveis de ansiedade social e de agressão, e que são motivados a estar on line para compensar o sentimento de  vazio social. Quanto aos fatores de risco, estão relacionados ao tempo em que crianças e jovens  ficam na internet participando de redes sociais, sozinhos.  Em  adolescentes  e jovens, pode haver o  estímulo de provocar agressões e ofensas na internet ou fora delas. Muitas situações de violência são combinadas pelo espaço virtual e ganham os espaços sociais como escolas, ruas, shoppings etc. E, também, a exposição de situações íntimas,por fotos e filmagens, que  ao serem enviadas aos amigos ou namorados podem  cair na rede e como consequência, o bullying; citando também como fator de risco, o fácil acesso de material pornográfico em idades cada vez mais precoces e a facilitação de que as crianças  sejam ‘presas’ fáceis dos pedófilos, quando acreditam que estão ‘conversando’ com pares da sua idade e informam sobre as suas particularidades como nome dos pais, endereços residenciais e escolares. No que refere a prevenção, o estudo aponta  para que os pais estejam mais atentos aos sites acessados pelos filhos, e, nos menores, que o computador fique em lugar de fácil transição pelos moradores da casa, ou seja, que não fique no quarto da criança; além da importância de  informações com diálogos abertos por parte dos pais e educadores.

 

Indo um pouco além do fenômeno descrito, é preciso uma leitura do que se passa na atual sociedade. Estamos num período nunca visto antes,  grandes transformações em período tão curto de tempo.Com a atual tecnologia, surgem novas linguagens que rapidamente também são modificadas, e com isso também mudam  os conceitos  de limite, de amor, de família, etc.  Nas gerações anteriores os mais velhos transmitiam as suas experiências, contribuíam para que os mais jovens tomassem as suas decisões, davam conselhos a partir das suas experiências de vida, mesmo que houvesse o famoso “conflito de gerações”, onde o jovem sempre chegou com transformações. Acontece que atualmente, as transformações estão muito mais rápidas e não esperam mudanças de gerações; ao contrário, mudanças acontecem quase que diariamente, e , o saber dos mais antigos já não tem tanto impacto para as decisões dos jovens. Está acontecendo o inverso, os mais jovens  transmitem conhecimentos aos mais velhos, informam sobre as novas palavras e os novos conceitos ditados pela era tecnológica. Os jovens desfrutam  de um empoderamento com seu ‘saber’, imbuídos da  sensação de liberdade e anonimato. Acreditam  de que pelo fato de estarem por detrás de uma tela, podem fazer qualquer coisa.

Essa é uma pequena parte do cenário atual, os pais destituídos em seu saber,  parecem sem direção para orientar os filhos. E estes, desenfreados numa sensação de liberdade, não se dão conta do quanto estão expostos em suas  vidas privadas, e o quanto isso impõe riscos.  São novos tempos, em que pela primeira vez em toda a história da humanidade, as duas gerações terão que construir juntas novas formas de se relacionar e de se proteger das ameaças cibernéticas.

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